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Policiais penais relatam dificuldades com pouco efetivo para custódia de presos no HGR

Policiais penais durante o trabalho – Foto: Divulgação/Sejuc


Policiais penais de Roraima reclamam da quantidade de agentes para lidar com presos internados no Hospital Geral de Roraima (HGR).

No relatório de plantão dos policiais que estiveram na unidade nesta quarta (8) e quinta-feira (9) eles relatam que haviam três plantonistas para custodiar 11 presos.

Conforme o relatório, este número é insuficiente. Pois, além da pequena quantidade de policiais penais, os presos ficam internados em locais diferentes. O que dificulta o trabalho dos agentes.

“… foi unânime as queixas de todos os setores nos quais os reeducandos estavam internados, pois houve solicitações simultâneas da presença de policiais penais em diferentes setores”, diz trecho do documento.

O relato diz ainda que os policiais devem acompanhar os reeducandos durante procedimentos hospitalares. Acompanham ainda para que faças as necessidades fisiológicas. Eles chamam esse procedimento de vigilância aproximada. No entanto, os policiais têm dificuldade em executar esse trabalho devido a desproporcionalidade de agentes para reeducandos.

“Ao que parece, todos sabem que É e/ou SERIA o procedimento padrão para a custodia de presos numa Unidade Hospitalar (UH), a vigilância aproximada dos internos. Porém devido ao efetivo precário e presando sempre pela segurança própria, foi informado em todos os setores em que estávamos que o efetivo estava desproporcional para a quantidade de internos e estaríamos atuando fazendo rondas”.

Como solução, os policiais penais deixam o contato telefônico nas enfermarias e realizam rondas. Mas segundo os agentes, a medida também se tornou ineficiente devido aos chamados simultâneos.

Entre as demandas que os policiais têm que executar durante o serviços no HGR as principais são:

  • Recebimento de preso para internação;
  • Busca junto a chefia de plantão e administração da unidade prisional acerca de documentação de preso para realização de exames, através de WhatsApp;
  • Transferência de preso;
  • Deslocamento de preso para realização de exames dentro da UH.

Segurança

Uma das preocupações dos policiais penais está relacionada á segurança dos mesmos. Dessa forma, eles devem sempre se deslocar acompanhado de outro policial.

“Sabe-se que para segurança dos próprios PP não convém que nenhum dos agentes ande sozinho, para tanto todas as demandas atendidas foram realizadas pelos três policiais penais escalados, com exceção de escolta de preso para a UP/CPMBV, que foi necessário, a comando da chefia de plantão, que um dos policias deslocasse junto com o interno na ambulância, ficando apenas dois na unidade hospitalar por um breve período da tarde. Seguem demandas atendidas pelos plantonistas escalados no período diurno”.

Ocorrências


Um dos agentes informou que, após atender a uma demanda na área verde do trauma, voltou a fazer ronda no Bloco A do HGR. Então constatou que a esposa de um dos presos estava o visitando.

Conforme o relato, mesmo sem a autorização para a visita, a mulher entrou dentro do hospital sem nenhuma dificuldade.

“… quando questionados sobre autorização, disseram que não tinham e que a mesma adentrou tranquilamente a unidade hospitalar como todas as visitas a pacientes daquele hospital (informando na portaria seu nome e o do paciente)”.

Os policiais penais solicitaram imediatamente a retirada da mulher e realizaram revista no material que ela levou. Como resultado, encontraram lâmina de barbear. O objeto cortante é proibido para os detentos.

Além disso, eles comunicaram a ocorrência ao chefe de plantão e reforçaram à direção do HGR que não é permitida a visita aos presos sem autorização de órgão competente. O que culminou na decisão do setor de Psicologia em realocar os internos do bloco num mesmo quarto.
Sem descanso

Outro ponto que os policiais destacaram no relatório é sobre o descanso. De acordo com o texto, eles não conseguem descansar o suficiente devido ao pequeno número de agentes.

Além disso, eles compartilham o alojamento com outros servidores da área da saúde. O que pode comprometer a segurança, pois os policiais usam armas.

“Outrossim, os próprios integrantes das equipes de saúde que estão compartilhando o alojamento informaram que não há lugar nem para eles e que é um absurdo nos colocarem no espaço de descanso deles”.

O documento relata ainda que a unidade hospitalar é um local extremamente vulnerável para eles. Visto que não é um local controlado por celas e contenções com cadeados, portaria e body scan como numa unidade prisional.

Dessa forma, os policiais penais ficam muito expostos sendo alvos visíveis por estarem fardados. Eles destacam também que a segurança contra fuga dos presos se faz apenas com uma algema junto ao leito e um efetivo precário “que não evitou nem a entrada indevida de uma visita, imagine se fosse um resgate ou o extermínio de algum interno?”

Por fim, os profissionais pedem solução ao Governo de Roraima para que tenham mais segurança. Eles pedem ainda um veículo adequado apara transportar os presos. Pois o que está disponível encontra-se com vários defeitos.

“Para tanto solicita-se que seja analisada e solucionada junto ao setor competente uma ampliação de efetivo para suprimento das demandas desta UP [Unidade Prisional] junto ao HGR e maior segurança dos policiais, veículo apropriado para deslocamento dos policiais e escala adequada, pois a atual se mostra ineficiente, sendo muito mais desgastante para o servidor, não possibilitando descanso apropriado ao PP durante o plantão para suprir também suas necessidades físicas e fisiológicas em horário adequado”.

Citada

Em nota, a Sejuc disse que o quantitativo de policiais penais escalados para o posto do HGR é feito conforme a necessidade. E que varia dia após dia, dependendo da quantidade de presos que ficam internados.

Disse ainda que a Corregedoria da Sejuc realizou no dia 26 de janeiro de 2023 uma inspeção no HGR onde constatou que, dos cinco policiais penais escalados, apenas um estava no plantão.

O fato está sendo acompanhado para providências administrativas. Além disso a quantidade excessiva de atestados médicos apresentados muitas vezes somente no dia do plantão tem ocasionado diversos transtornos, pois atrapalham a formatação da escala de trabalho, fato que será objeto de investigação criminal.

Sobre as condições de trabalho, a Sejuc disse que em tratativas com a direção do HGR ficou disponibilizado um local para servir de descanso ao policial penal, uma vez que ele fica na unidade somente por 12 horas.

Sobre a circulação nas dependências do Hospital Geral de Roraima Rubens de Souza Bento, a Secretaria de Saúde esclarece que houve mudanças nas recomendações de entrada do acompanhante e internação de pacientes no HGR.

Fonte: Roraima em Tempo

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