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Internada na "maternidade de lona", gestante teme pela vida da filha

 

Nathalia da Silva Alexandre contou que foi internada após a bolsa romper quando ela estava com 6 meses de gestação. Passados alguns dias, ela relata falta de informação precisa - Foto: Arquivo Pessoal

Uma paciente, de 26 anos, internada na maternidade Nossa Senhora de Nazaré, relatou ao site g1 nesta segunda-feira (8) a preocupação com o atendimento na unidade. Grávida de 31 semanas (7 meses), Nathalia da Silva disse que está na unidade desde que estava com 29 semanas. Ela procurou ajuda depois que a bolsa gestacional estourou antes do previsto.

Segundo a jovem, que espera uma menina, exames indicavam que a bebê estava pesando 1,2 Kg quando ela deu entrada na unidade. Atualmente, o peso está em 800 gramas e ela não recebe explicações suficientes para entender o motivo de a filha estar perdendo peso.

"Do nada deu 800 gramas, ela estava emagrecendo. Ai a mulher [médica] falou: 'não mas não tem como emagrecer', mas eu disse 'como é que ela tá pesando isso? porque eu não estou correndo aqui dentro", afirmou, acrescentando que foi orientada a comer proteína, embora a unidade não disponibilize: "qui eles não dão proteína, tem que trazer de fora, e eles não deixam entrar com nada de fora", afirmou.

Em nota, a Secretaria de Saúde, responsável pela maternidade, disse que a paciente Nathália "está recebendo todo acompanhamento da equipe multiprofissional" e que a bebê dela não teve redução.

"Durante o primeiro atendimento na referida paciente, fora realizado um exame rápido para avaliações iniciais e verificação de necessidade de internação, ou seja, a fim de obter informações mais precisas. Após isso, foi realizado um exame pela médica especialista em medicina fetal do qual apresentou informações que confirmou o real peso do bebê, e não apresentou redução do peso", afirmou a Sesau.

Nathália diz que o maior medo é que aconteça o pior com a bebê. "Não estou bem. Só espero o pior aqui na maternidade, está cada dia pior, filhos morrendo por negligência. Estou sozinha e fica nessa situação. A gente não sabe o que que vai acontecer."

"Não quero sair daqui sem minha filha bem e em meus braços" , desabafou.

Ainda de acordo com a jovem, ela notou um inchaço na barriga. No entanto, não sabe explicar se isso é natural, se tem relação com a perda de líquido ou pela medicação que tem tomado. "Ninguém diz nada [explica]", afirmou.


Nota da Sesau sobre o caso

A Secretaria de Saúde informa que a paciente Nathalia da Silva Alexandre está recebendo todo acompanhamento da equipe multiprofissional do Hospital Materno Infantil Nossa Senhora de Nazareth, e foi constatada a gestação de 31 semanas.

Informa ainda que durante o primeiro atendimento na referida paciente, fora realizado um exame rápido para avaliações iniciais e verificação de necessidade de internação, ou seja, a fim de obter informações mais precisas. Após isso, foi realizado um exame pela médica especialista em medicina fetal do qual apresentou informações que confirmou o real peso do bebê, e não apresentou redução do peso.

Ainda de acordo com a direção geral da unidade, após a avaliação, fora constatado que a paciente possui restrição de crescimento intrauterino, que ocorre quando um feto não consegue crescer (engordar), podendo esse tipo de situação decorrer de uma série de causas, como alterações nos cromossomos e doenças da mãe (pressão alta, desnutrição, anemia, uso de álcool/drogas, tabagismo, entre outros).

Uma das causas mais comuns nesse tipo de situação é a insuficiência placentária. Uma vez que a placenta é o tecido que une a mãe e o feto, ela transporta oxigênio e nutrientes para o bebê e permite também a passagem de resíduos do bebê para a circulação da mãe. Por essa razão, além de estar sendo acompanhada por uma médica gineco obstétrica especialista em medicina fetal, a paciente também está sob cuidados na equipe de nutrição que vem fornecendo uma dieta direcionada à condição da paciente. Porém, ocorre que infelizmente a paciente não vem as ingerindo de forma contínua/correta, o que prejudica muito na continuidade de uma boa evolução da gestação.

É importante ressaltar a importância na realização do pré-natal. Neste caso, a paciente somente realizou três consultas regulares, o que está bem abaixo do preconizado pela Organização Mundial de Saúde. Quanto mais cedo e com maiores constâncias tais consultas são realizadas, mais cedo serão identificados os possíveis desdobramentos da gestação, evitando assim, problemas mais graves.

Fonte: g1 RR

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