‘Maternidade de Lona’ completa 3 anos com alto índice de morte de bebês

Maternidade Nossa Senhora de Nazareth – Foto: Divulgação/Secom-RR


Há três anos, no dia 5 de junho de 2021, pacientes do Hospital Materno-Infantil Nossa Senhora de Nazareth, situado no bairro São Francisco em Boa Vista, eram transferidas para uma estrutura improvisada que mais tarde ficaria conhecida como a “Maternidade de Lona” de Roraima, devido uma reforma geral na unidade de saúde.

Conforme divulgou o Governo do Estado na época, a obra duraria apenas cinco meses e teria um custo de mais de R$ 20 milhões. Entretanto, a reforma nunca foi concluída e a Maternidade segue funcionando até hoje na estrutura improvisada que acumula casos de negligência médica e alto índice de mortes de bebês.
Negligência médica na Maternidade de Lona

Mortes de bebês, ferimentos e procedimentos cirúrgicos mal sucedidos estão entre as centenas de casos relatados de negligência médica, ocorridos na “Maternidade de Lona” de Roraima.

Em resumo, na semana passada, uma paciente de 18 anos relatou ao Roraima em Tempo que um médico fraturou a clavícula do filho dela, ao puxar o bebê durante o parto. O caso ocorreu no início do mês de maio.

Informaram à paciente que a criança se recuperaria em um mês, entretanto, ela percebeu a região inchada e voltou à Maternidade em busca de atendimento.

“A médica falou que estava do mesmo jeito, que não tinha nenhuma melhora. Ela disse que o ‘catombinho’ ia ficar pelo resto da vida dele”, relatou.

Além disso, em abril, uma mulher teve o intestino perfurado durante o parto e ficou em estado grave. Ao ter alta da Maternidade, a vítima começou a passar mal em casa e defecar pela vagina. Com isso, o esposo a levou para a unidade que a encaminhou para o Hospital Geral de Roraima (HGR).

“Na Maternidade fizeram um exame de ultrassonografia vaginal, onde localizaram uma perfuração no intestino, aonde havia fezes. Um médico viu a situação e chamou um cirurgião, que encaminhou ela para o HGR”, contou.

Morte de bebês

Outro caso de grande repercussão foi a morte de bebês gêmeos em julho de 2023. Na época, a mãe das vítimas denunciou negligência médica. A mulher relatou que os filhos apresentaram problema de saúde e precisariam fazer diálise, entretanto houve uma grande demora para a realização do procedimento.

“Fizeram só em um, mas demoraram muito para realizar o procedimento. No outro não nem fizeram a diálise. Eu quero Justiça dos meus dois bebês gêmeos. Que outra mãe não venha sentir o que eu estou sentindo hoje”, disse.

Em suma, dados da Secretaria Estadual de Saúde (Sesau) apontam que 273 bebês morreram na “Maternidade de Lona” em um intervalo de um ano e meio entre 2022 e 2023.

Também chamou a atenção da população o caso de três recém-nascidos que morreram na ‘maternidade de lona’ em um intervalo de quatro dias por falta de diálise ou uso incorreto de equipamento em julho do ano passado. À época, um médico nefrologista enviou denúncia ao Ministério Público de Roraima, que abriu procedimento para investigar o fato.

A pediatria chegou a solicitar diálise com urgência para dois bebês, mas os procedimentos só iniciaram horas depois. Com o terceiro recém-nascido houve falha grave no andamento da diálise. A solução usada para infusão na cavidade não estava em aparato correto. Além disso, o cateter inserido no abdômen do bebê tinha especificação para adulto e foi adaptado.

Dívidas milionárias

A empresa Ágora – Estruturas e Engenharia é a responsável por manter de pé a estrutura improvisada da Maternidade. A princípio, em 2021, o aluguel do espaço ficou firmado em R$ 10 milhões. Contudo, houve um reajuste de 18% no valor e o Governo passou a pagar quase R$ 12 milhões.

Já em 2022, o Estado passou a pagar R$ 13 milhões. No mês de agosto do ano passado, a Sesau renovou o contrato novamente por mais 12 meses e manteve o pagamento à empresa responsável pelo mesmo valor.

Em maio deste ano, a empresa informou que o Governo não paga o aluguel há um ano e acumulou uma dívida de mais de R$ 12 milhões e que, por isso, não vai renovar o contrato que encerra em agosto.


FONTE: RORAIMA EM TEMPO

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